A Prefeitura de Jacareí enviou, em 29 de outubro de 2026, um novo ofício à Caoa Chery sobre a fábrica paralisada na cidade. A montadora terá de apresentar informações sobre a unidade.
A fábrica está desativada desde 2022. Segundo a prefeitura, a cobrança também busca avaliar se a empresa ainda cumpre as condições associadas aos incentivos fiscais municipais.
O caso envolve a administração municipal e a Caoa Chery, cuja unidade fica em Jacareí, no interior de São Paulo. O Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico (COMUDE) deliberou sobre o tema antes do envio do ofício.
A análise pode afetar benefícios concedidos à montadora e se relaciona aos trâmites administrativos para desapropriar a área, iniciados pelo município em 2026. Ainda não há decisão definitiva sobre a retirada dos incentivos nem previsão confirmada para a publicação do decreto de desapropriação.
Ofício cobra informações e prefeitura avalia incentivos fiscais
Emitido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico em 29 de outubro, o documento foi elaborado após deliberação do Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico (COMUDE), realizada em 27 de outubro. A medida solicita informações para subsidiar a análise municipal sobre a situação da unidade.
A Caoa Chery deverá responder em 30 dias, contados do recebimento da notificação. Entre os pontos cobrados estão as atividades atuais e futuras, a destinação das instalações e a situação operacional da fábrica.
A prefeitura também pediu documentos sobre o quadro de funcionários, investimentos previstos e eventual cronograma de retomada da produção. A montadora deverá apresentar projeções de produção, empregos e valor adicionado ao município, além dos recursos necessários para uma possível reativação.
Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, a notificação tem caráter instrutório e busca assegurar à empresa o contraditório e a ampla defesa. A administração municipal informou que as respostas serão encaminhadas ao COMUDE para análise; a Caoa Chery foi procurada para comentar o caso, mas a reportagem aguardava retorno.
Desapropriação da área segue em análise pela prefeitura
Os incentivos municipais concedidos à montadora incluem benefícios relacionados ao Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), ao Imposto Territorial Urbano (ITU) e ao Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Conforme a prefeitura, eles foram estabelecidos com base na Lei Municipal nº 5.493/2010 e no Decreto Municipal nº 898/2010.
A isenção do IPTU tinha prazo previsto de até 20 anos. A administração afirma que débitos de exercícios recentes foram lançados e inscritos na dívida ativa porque os requisitos para manter a isenção não estariam sendo cumpridos.
Entre as contrapartidas apontadas pelo município estão a geração de empregos e o valor adicionado à cidade. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico também relaciona a revisão dos benefícios à redução expressiva do quadro de funcionários e à interrupção prolongada da produção.
Em julho de 2025, a prefeitura anunciou que poderia desapropriar a área caso a empresa não apresentasse um plano de retomada, alegando descumprimento de obrigações ligadas à atividade industrial e aos empregos. Após o fim do prazo para apresentação de uma proposta, em 20 de julho de 2026, o município comunicou o início dos trâmites administrativos ao presidente do Grupo Caoa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade Filho, e ao gerente-geral da Chery International Brasil, Cláudio Guowei Xu; segundo a prefeitura, não havia uma proposta concreta para reativar a unidade.


